Venda de imóveis cresce 46% em SP e surpreende setor

0
341
Reaquecimento da economia, redução dos juros e estabilidade no nível de empregos contribui para o resultado positivo

O mercado imobiliário da cidade de São Paulo voltou a crescer, após três anos consecutivos de quedas. As vendas de imóveis atingiram 23.629 unidades em 2017, uma expansão de 46,1% em relação a 2016. O resultado surpreendeu o setor, que esperava um crescimento de 5% a 10% no ano.Os dados são da pesquisa divulgada esse mês de fevereiro pelo Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), considerando apenas os imóveis residenciais novos. Para o presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, o forte crescimento do setor é sinal da recuperação da economia brasileira, com redução dos juros e estabilidade no nível de empregos, o que ajudou a recompor parcialmente a confiança de consumidores. “Houve uma melhora do cenário macroeconômico. Vemos nos plantões de venda a percepção de melhora entre os consumidores e o aumento da confiança em assinar o cheque”, comentou.O lançamento de novos projetos também cresceu, totalizando 28.657 unidades – aumento de 48% em relação a 2016. Segundo Amary, parte significativa dos novos projetos está relacionada ao crescimento do programa Minha Casa Minha Vida, que está com uma demanda mais aquecida e com boas condições de crédito. O programa foi responsável por 4.154 lançamentos em São Paulo em 2016, ou 23% do total. Já em 2017, essa participação subiu para 10.343 unidades, 36% do total.

Boas perspectivas para 2018 

A estimativa do Secovi para esse ano é de estabilidade no número de lançamentos e alta de 5% a 10% nas vendas em relação ao ano passado. “Essa projeção já considera que o ano tem um calendário com Copa do Mundo, eleições presidenciais e muitos feriados emendados, o que prejudica muito o mercado”, disse o economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci. Como os negócios em janeiro deste ano já mostraram um bom desempenho, a estimativa é que os números de lançamentos e vendas devam superar os do mesmo mês do ano passado.

O fato do preço dos imóveis não estarem subindo no mesmo ritmo do reaquecimento do mercado, também propicia para que as vendas melhorem. “Os preços ainda não estão acompanhando a recuperação, eles seguem estáveis. Algumas regiões têm os mesmos preços de meses ou até anos atrás”, afirma o presidente do Secovi-SP.

Outra boa notícia para o mercado está relacionada ao estoque de imóveis novos, que cresceu bastante durante a crise por conta da queda nas vendas e das devoluções de compradores que perderam a capacidade de pagar as prestações, chegando ao patamar de 22.040 unidades no fim de 2017. O montante representa uma queda importante em comparação com o fim de 2016, quando estava em 24.130 unidades, e bem abaixo do pico de 28.118 unidades, em maio de 2015. Ainda assim, permanece um pouco acima da média histórica da cidade, que é de 20.148 unidades. “Segundo Petrucci, a maior parte do estoque é composto por moradias ainda na planta ou em fase de obras, lançadas nos últimos meses. As unidades prontas – que geram custo de condomínio, IPTU e manutenção para as construtoras – representam 9% do estoque total. Um ano antes, estava em 14%.

Texto e Edição: Luciana Albuquerque

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here