Pesquisa revela que número de mães que deixam o mercado de trabalho é quatro vezes maior que o de pais

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Segundo o estudo da Catho, apenas 8% das mães entrevistadas conseguiram voltar a trabalhar em menos de seis meses e 31% levaram mais de três anos ou não retornaram ao mercado de trabalho

Conciliar vida pessoal com a profissional é uma tarefa que exige sacrifícios de qualquer um, mas quando se trata de maternidade, são as mulheres que mais sofrem com a perda do espaço no mercado de trabalho, abrindo mão de suas profissões, seja porque decidem ficar em casa e cuidar dos filhos, ou por não conseguirem retornar ao mercado após o nascimento deles. É o que comprova uma pesquisa realizada pelo site de empregos Catho, feita em janeiro deste ano com 5.120 respondentes de todo o Brasil, sendo 54,6% homens e 45,4% mulheres. Dos entrevistados, 30% das mães já abriram mão do emprego após a chegada dos filhos, enquanto entre os pais o número é de apenas 7%.

A hora de retornar ao mercado após a licença-maternidade, que dura normalmente de 4 a 6 meses, também é mais difícil para as mães. Daquelas que deixaram o mercado por conta dos filhos, apenas 8% conseguiram voltar ao mercado em menos de seis meses, enquanto entre os homens o índice é de 33%. Quando somadas as mulheres que demoraram mais de três anos para se recolocar e as que ainda não conseguiram retornar, o número chega a 31%. Entre os homens o índice é de 19%. E isso também reflete no pessimismo que as mães tem quanto ao crescimento na carreira. Quando questionadas, 60% delas avaliam suas perspectivas como ruins ou péssimas, contra 47% dos homens que têm filhos.

Os dados mostram que, uma vez que se tornam mães, as dificuldades das mulheres no desenvolvimento de suas carreiras aumentam. Muitas empresas ainda tem preconceito com mulheres com filhos e acreditam que o rendimento delas cairá ou que faltarão por eventuais doenças com as crianças, porém esse receio do mercado de trabalho não é estendido aos pais, o que faz com que eles não sejam afetados profissionalmente após a paternidade. “Isso demonstra ainda uma percepção cultural de que as mulheres se envolvem mais na criação dos filhos do que os homens, por isso as limitações para elas seriam maiores. Uma maneira de equilibrar essa balança é que os homens também comecem a dividir de uma maneira mais igualitária as tarefas familiares”, diz Simone Damazio, Gerente de Gente e Gestão da Catho.

As empresas podem contribuir para melhorar esse quadro. “Uma estratégia que pode beneficiar as mulheres e os empregadores, por exemplo, é apoiar a paternidade ativa, com ações como licença estendida, abono para participação em reuniões escolares e afins. Permitir que o trabalho possa ser feito de casa, por home office, com horários mais flexíveis, especialmente nos primeiros anos de vida da criança, também ajuda. Com isso as mães conseguirão ser mais eficientes na gestão do seu tempo, além de contribuir para diminuir o número de mulheres que deixam o mercado após o nascimento dos filhos, tendo mais oportunidades em suas carreiras “, diz Simone.

Tempo para retorno ao mercado de trabalho Pais Mães
Menos de 6 meses 33% 8%
6 a 12 meses 32% 23%
1 a 2 anos 10% 28%
2 a 3 anos 5% 9%
Mais de 3 anos 5% 15%
Não retornei 14% 16%

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