Sexo, só com proteção

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O Brasil e outros países estão em alerta para o aumento de casos de contaminações por Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), as antigas DSTs. Saiba os danos que elas causam na saúde e a importância de fazer sexo seguro

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de preservativo, a camisinha masculina ou feminina, ou ainda da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. Essa nova terminologia, IST, segue os padrões já adotados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e passou a ser adotada no Brasil. A mudança se deve porque quando se refere à “doença” implica-se a uma patologia que oferece sinais visíveis no organismo. Nesses casos, “infecções” é mais adequado a ser usado, pois a pessoa pode ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas, como acontece nas Infecções Sexualmente Transmissíveis. “Tanto o preservativo masculino quanto o feminino diminuem a chance de transmissão das ISTs. Lembrando que eles devem ser usados em todas as relações sexuais vaginais, inclusive na relação oral e anal”, diz o ginecologista e obstetra Dr. Luiz Claudio Marques Simões, prestador de serviços no Hospital América de Mauá.
Mas, essa atitude não tem sido levada tão a sério e preocupa os especialistas da saúde no país e no mundo. De acordo a última análise do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC), divulgada em 2018, os casos de infecção por DSTs não param de crescer pelo quarto ano consecutivo no país. De 2013 a 2017, o aumento de casos de Gonorreia e de Sífilis nos EUA foi de 67%. No Brasil, dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis, de 2018, divulgados pelo Ministério da Saúde (MS), apontaram o aumento no número de casos da doença em comparação à 2016, de 28,5% em gestantes, 16,4% na incidência de sífilis congênita e 31,8% na incidência de sífilis adquirida. Cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados com o HPV (papilomavírus humano), conforme dados do MS de 2018. “A OMS estima um milhão de novos casos de ISTs por dia no mundo. No Brasil a infecção pelo HPV é a mais prevalente e a infecção por Clamídia a mais comum no mundo, principalmente nos Estados Unidos. Mas, atualmente, a sífilis é a IST que mais cresce”, diz Dr. Simões.

Os sintomas da sífilis são mais visíveis, como feridas e manchas, mas uma pessoa pode não ter esses sinais e, mesmo assim, estar com a doença, que é quando ela se encontra na fase latente. “Nesta fase da sífilis a pessoa infectada apresenta exames laboratoriais positivos com grande chance de transmissão para o (a) parceiro (a), mas é assintomática, diferente da sífilis primária que aparece na forma de uma úlcera indolor em áreas genitais ou não genitais e da sífilis secundária com aparecimento de manchas e lesões na pele das pessoas infectadas”, explica o médico. Sem tratamento, a sífilis se agrava e acarreta outros problemas, como cegueira, doença do coração, problemas cerebrais e paralisias.

Jovens: um grupo em alerta
Tanto nos EUA, como no Brasil, nota-se o aumento dos casos de DSTs entre os jovens. A pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids” de 2012, entrevistou 1208 jovens brasileiros de 18 a 29 anos e constatou que, quase quatro em cada 10 deles admitiram não usar preservativo em sua última relação. Por mais que há anos se façam campanhas de conscientização em relação ao sexo seguro, as pessoas estão desafiando a sorte e se arriscando ao se relacionar sem o uso da camisinha. As desculpas são inúmeras, mas o resultado é somente um: contrair doenças que podem trazer diversas complicações de saúde, inclusive ser fatal. O HPV oferece um grande risco de desenvolvimento de câncer. Já a Aids não tem cura e deixa o paciente dependente
de remédios a vida toda. Sem falar nos milhares de mulheres e homens que podem ficar inférteis e não realizar o sonho de ter um filho devido a essas doenças. “As ISTs podem causar, desde infecções uriná-rias, até quadros de infertilidade no casal devido acometimento das tubas uterinas nas mulheres e dos testículos nos homens, como nos casos de infecção por Clamídia e Gonorreia. Outro exemplo é a infecção pelo HPV que pode levar ao câncer de colo uterino na mulher e ao câncer de pênis no homem”, alerta o ginecologista e obstetra.Para evitar a expansão do HPV no país, desde 2014, o MS disponibiliza a vacina contra o vírus no SUS para meninas com idade entre 9 e 14 anos, meninos de 11 a 14 anos; pessoas que portadoras de AIDS, e também aquelas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos. Na rede privada a vacina pode ser tomada por adultos também. “A vacina para os quatro subtipos de HPV (dois subtipos causadores de verrugas e dois causadores de câncer de colo uterino) pode ser feita em todas as mulheres dos 9 aos 45 anos de idade e em todos os homens dos 9 aos 26 anos. A outra vacina bivalente, para os dois subtipos de HPV que causam o câncer de colo uterino, pode ser aplicada em qualquer mulher com idade acima de 9 anos de idade”, orienta Dr. Simões. Entretanto, o objetivo da vacina é prevenção, não sendo eficaz contra infecções ou lesões por HPV já existentes, o que requer um tratamento.

Aids ainda mata
No caso da Aids, o aumento de casos está entre os jovens. Na faixa etária de 15 a 19 anos o índice de contágio dobrou, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 na última década. Entre os que tem 20 e 24 anos, chegou a 21,8 casos por 100 mil ha-bitantes. A imagem da pessoa infectada de hoje, mais saudável, devido ao avanço nos tratamentos, diferente daquele paciente doente, emagrecido e à beira da morte nos primórdios do aparecimento do HIV nos anos 1980 pode contribuir para essas estatísticas. “Atualmente uma pessoa com HIV tem facilidade de acesso à terapia antirretroviral e aos exames de controle de carga viral, diminuindo assim a doença Aids e as doenças oportunistas que as vitimavam há 20 anos”, relata o médico. Além disso, soma-se a mudança de comportamento da juventude. “Apenas 60% da geração de hoje utiliza preservativos, apesar de saberem de sua importância. A facilidade da interação social e a liberdade sexual entre estes jovens também contribuem para o aumento dos casos de infecções”, completa. Apesar de a Aids não assustar tanto quanto já assustou no passado, ainda não tem cura e leva mui-tas pessoas à óbito, visto que é causada pelo HIV (vírus da imunodeficiência adquirida), que compromete o funcionamento do sistema imunológico humano, deixando o organismo desprotegido contra bactérias, vírus, parasitas e células cancerígenas.

Sexo seguro, sempre
E vale lembrar que o sexo sem camisinha pode transmitir diversos tipos de vírus e muitos sem sintomas, sendo que o diagnóstico tardio pode gerar sequelas graves, dificultar os tratamentos, fazer a doença evoluir para um câncer ou ser fatal. Entre as ISTs mais comuns estão também a Clamídia e Gonorreia, que têm como sintomas o surgimento de corri-mento no canal da urina e dor ao urinar. Nas mulheres, a Clamídia pode atingir o útero e as trompas, provocando uma grave infecção, gerando dor nas relações sexuais e agravamentos, como gravidez nas trompas (fora do útero), parto prematuro e até esterilidade. O herpes genital (vírus do tipo 2) também é uma IST que, segundo o ginecologista, pode ficar em fase de latência por toda uma vida. Ou seja, o parceiro (a) pode estar infectado pelo vírus do herpes e não saber, e ao manter relação sexual sem camisinha irá transmiti-lo. “Não existe, até o momento, medicação para erradicar esse vírus. O tratamento deve ser feito nos casos de aparecimento das lesões em genitália que podem acontecer uma única vez ou podem surgir em surtos quando a imunidade da pessoa infectada diminuiu. Quanto à chance de nova infecção, isto pode ocorrer nos raros casos de contato com parceiro (a) com o herpes labial (vírus tipo 1) que pode infectar também as áreas genitais através do sexo oral”, alerta o ginecologista.

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