Vão Livre do MASP é ponto de partida da EndoMarcha 2018

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Em seu 5º ano no Brasil, Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose é pautada pela luta por atendimento digno e políticas públicas que facilitem o diagnóstico e o tratamento da doença

O mês de março, que é o mês da mulher, é também o escolhido para a campanha Março Amarelo, sobre a Endometriose. Junto a isso, acontece a EndoMarcha, a Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose (Million Women March for Endometriosis), que acontecerá no dia 24 de março, em mais de 80 países.

Em São Paulo, o ponto de encontro é o vão livre do MASP, na Avenida Paulista, com concentração às 9h (horário de Brasília) e caminhada prevista para as 10h.  “A marcha é um evento legítimo de reivindicação pelos nossos direitos, pelo diagnóstico precoce e pelo reconhecimento da endometriose como doença social, com a criação de políticas públicas para que o tratamento possa ser realizado pelo SUS”, afirma Caroline Salazar, capitã brasileira da EndoMarcha, jornalista e idealizadora do blog A Endometriose e Eu.

A EndoMarcha foi idealizada nos Estados Unidos pelo Dr. Camram Nezhat, médico especialista e precursor da videolaparoscopia, utilizada no tratamento da doença, e por seus irmãos, Dr. Ceana Nezhat e Dr. Farr Nezhat. “No Brasil, a cada ano essa participação aumenta mais. Em cinco anos, nós mais que quadruplicamos a EndoMarcha no país”, comemora Caroline.

A partir do movimento, leis com foco na conscientização e disseminação de informações sobre a doença já começam a surgir. No dia 05 de janeiro de 2018, foi sancionada em São Paulo a Lei Estadual 16.635/18, que prevê a Semana Estadual de Prevenção e Conscientização dos Males Causados Pela Endometriose, de autoria do deputado estadual Cezinha de Madureira (DEM). “Isso é bom não só para as portadoras, mas também para os médicos, uma vez que faz com que o acesso à informação sobre a endometriose seja maior”, pontua a capitã da EndoMarcha.

Para participar, os interessados devem realizar seu cadastro gratuitamente no link: https://goo.gl/Et5DUp

MARÇO AMARELO: ENTENDA A ENDOMETRIOSE

A endometriose é uma inflamação crônica e aguda no sistema reprodutor feminino. No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Endometriose (SBE), a doença atinge cerca de seis milhões de mulheres, chegando a 200 milhões no mundo todo. Porém, mesmo com um número tão elevado, a endometriose é uma realidade pouco falada no universo feminino.

De acordo com o Dr. Patrick Bellelis, médico gionecologista e obstetra especialista no assunto, sua causa ainda é incerta, mas a teoria mais aceita é sobre a menstruação retrógrada, onde o endométrio – tecido que reveste o interior do útero – sofre alterações durante o ciclo menstrual para que o óvulo fertilizado possa se implantar. “Caso não ocorra a fecundação, o endométrio descama e o óvulo é eliminado através da menstruação. Em alguns casos, as células endometriais podem migrar pelo sentido oposto e cair em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestino e bexiga, permitindo a implantação deste endométrio e levando à formação de focos de Endometriose”, explica.

Foto: Pinterest

É muito comum que pessoas e profissionais leigos no assunto não compreendam a doença como deveriam, não dando devida atenção e importância para as dores físicas e emocionais que são causadas. Com isso, o diagnóstico da doença acaba sendo tardio. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, estima-se que em média, as mulheres levem sete anos para detectarem o problema, quando ele já está em estado avançado. “Por causa dos fortes sintomas da doença, a mulher acaba perdendo a qualidade de vida, o que pode abalar seu estado emocional e sua autoestima”, diz Dr. Patrick.

Para o médico, a situação pode ser melhorada com os diagnósticos precoces, o que para acontecer, precisa de conscientização, tanto das mulheres, entendendo os sintomas da doença e percebendo que há algo errado, como por partes dos profissionais da saúde, que devem valorizar essas queixas e investigar a situação.

Entre os sintomas estão a dor pélvica grave, dor durante a relação sexual, dor ao urinar, na bexiga e nos movimentos intestinais, inchaço, náuseas e vômitos, constipação e diarreia. Além disso, estima-se que 40% das mulheres com endometriose apresentem problemas de infertilidade. “Cólicas intensas não são normais e merecem reconhecimento. A Endometriose não é uma doença maligna, existem tratamentos eficazes e que devolvem a leveza para a vida dessas mulheres. A mulher portadora da Endometriose não precisa sentir dor, ela precisa de tratamento adequado. Portanto, não deixe de realizar exames periodicamente e caso seu corpo manifeste sinais além dos habituais, consulte seu médico ginecologista e relate tudo a ele”, orienta o especialista.

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